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Na noite de 25 de Abril de 1974 o Movimento das Forças Armadas (MFA), derrubou o regime de ditadura que durante 48 anos oprimiu o Povo Português. Restituindo a Liberdade aos Portugueses, com a Revolução dos Cravos, os militares de Abril acabaram também com o isolacionismo a que Portugal estava condenado há já vários anos. Solucionando o problema colonial, dando origem a novos países independentes, a Revolução dos Cravos foi o movimento pioneiro de enormes transformações democráticas em todo o mundo e demonstrou que as Forças Armadas não estão condenadas a ser um instrumento de opressão podendo, pelo contrário, ser um elemento libertador dos povos. Democratizar, Descolonizar e Desenvolver foi o lema que então fez regressar Portugal ao fórum das nações livres e amantes da paz.
Pergunto a mim mesmo se é ensinado nas escolas esta fase importante da
nossa história... Cronologia 19745 de Março - Nova reunião da Comissão Coordenadora do MFA. É lido e decidido pôr a circular no seio do Movimento dos Capitães o primeiro documento do Movimento contra o regime e a Guerra Colonial: intitulava-se "Os Militares, as Forças Armadas e a Nação" e foi elaborado por Melo Antunes 14 de Março - O Governo demite os Generais Spínola e Costa Gomes dos cargos de Chefe e Vice-Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, alegando falta de comparência na cerimónia de solidariedade com o regime, levada a cabo pelos três ramos das Forças Armadas. Essa cerimónia de solidariedade será ironicamente baptizada nos meios ligados à oposição ao regime como "Brigada do Reumático" nome pelo qual ainda hoje é muitas vezes referenciada. A demissão dos dois generais virá a ser determinante na aceleração das operações militares contra o regime. 16 de Março - Tentativa de golpe militar contra o regime. Só o Regimento de Infantaria 5 das Caldas da Rainha marcha sobre Lisboa. O golpe falhou. São presos cerca de 200 militares. 24 de Março - Última reunião clandestina da Comissão Coordenadora do MFA, na qual foi decidido o derrube do regime e o golpe militar. 23 de Abril - Otelo Saraiva de Carvalho entrega, a capitães mensageiros, sobrescritos fechados contendo as instruções para as ações a desencadear na noite de 24 para 25 e um exemplar do jornal a Época, como identificação, destinada às unidades participantes. 24 de Abril - O jornal República, em breve notícia, chama a atenção dos seus leitores para a emissão do programa Limite dessa noite, na Rádio Renascença.
24 de Abril - 22:00 horas: Otelo Saraiva de Carvalho e outros cinco oficiais ligados ao MFA já estão no Regimento de Engenharia 1 na Pontinha onde, desde a véspera, fora clandestinamente preparado o Posto de Comando do Movimento. Será ele a comandar as operações militares contra o regime. 24 de Abril - 22:55 horas: A transmissão da canção " E depois do Adeus ", interpretada por Paulo de Carvalho, aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa, marca o ínicio das operações militares contra o regime. 25 de Abril - 00:20 horas: A transmissão da canção " Grândola Vila Morena " de José Afonso[1], no programa Limite da Rádio Renancença, é a senha escolhida pelo MFA, como sinal confirmativo de que as operações militares estão em marcha e são irreversíveis.
25 de Abril - Das 00:30 às 16:00 horas: Ocupação de pontos estratégicos considerados fundamentais ( RTP, Emissora Nacional, Rádio Clube Português, Aeroporto de Lisboa, Quartel General, Estado Maior do Exército, Ministério do Exército, Banco de Portugal e Marconi). Primeiro Comunicado do MFA difundido pelo Rádio Clube Português. Forças da Escola Prática de Cavalaria de Santarém estacionam no Terreiro do Paço. As forças paramilitares leais ao regime começam a render-se: a Legião Portuguesa é a primeira. Desde a primeira hora o povo vem para a rua para expressar a sua alegria. Início do cerco ao Quartel do Carmo, chefiado por Salgueiro Maia, entre milhares de pessoas que apoiavam os militares revoltosos. Dentro do Quartel estão refugiados Marcelo Caetano e mais dois ministros do seu Gabinete.
25 de Abril - 16:30 horas: Expirado o prazo inicial para a rendição anunciado por megafone pelo Capitão Salgueiro Maia, e após algumas diligências feitas por mediadores civis, Marcelo Caetano faz saber que está disposto a render-se e pede a comparência no Quartel do Carmo de um oficial do MFA de patente não inferior a coronel. 25 de Abril - 17:45 horas: Spínola, mandatado pelo MFA entra no Quartel do Carmo para negociar a rendição do Governo. O Quartel do Carmo hasteia a bandeira branca. 25 de Abril - 19:30 horas: Rendição de Marcelo Caetano. A chaimite BULA entra no Quartel para retirar o ex-presidente do Conselho e os ministros que o acompanhavam, levando-os, à guarda do MFA para o Posto de Comando do Movimento no Quartel da Pontinha. 25 de Abril - 20:00 horas: Disparos de elementos da PIDE/DGS sobre manifestantes que começavam a afluir à sede daquela polícia na Rua António Maria Cardoso, fazem quatro mortos e 45 feridos. 26 de Abril - A PIDE/DGS rende-se após conversa telefónica entre o General Spínola e Silva Pais director daquela corporação. Apresentação da Junta de Salvação Nacional ao país, perante as câmaras da RTP. Por ordem do MFA, Marcelo Caetano, Américo Tomás, César Moreira Baptista e outros elementos afectos ao antigo regime, são enviados para a Madeira. O General Spínola é designado Presidente da República. Libertação dos presos políticos de Caxias e Peniche. 27 de Abril - Apresentação do Programa do Movimento das Forças Armadas. 29 a 30 de Abril - Regresso dos líderes do Partido Socialista (Mário Soares) e do Partido Comunista Português (Álvaro Cunhal).
1 de Maio - Manifestação do 1º de Maio, em Lisboa, congrega cerca de 500.000 pessoas. Outras grandes manifestações decorreram nas principais cidades do país. 4 de Maio - O MRPP organiza a primeira manifestação de boicote ao embarque de soldados para as colónias. A Junta de Salvação Nacional previra a necessidade de envio de alguns batalhões de militares para substituirem a tropa portuguesa ainda em território africano e cujo período de mobilização já terminara. Pensava-se também que seria importante manter as Forças Armadas Portuguesas em África até final das negociações com os Movimentos de Libertação Africanos, com vista à independência dos territórios. 16 de Maio - Tomada de posse do Iº Governo Provisório, presidido por Adelino da Palma Carlos. Do I Governo fazem parte, entre outros, Mário Soares, Álvaro Cunhal e Sá Carneiro. 20 de Maio - Américo Tomás e Marcelo Caetano, com o conhecimento da JSN mas não do Governo, partem para o exílio no Brasil. 25 de Maio - Início das conversações com o PAIGC. 26 de Maio - É fixado o primeiro Salário Mínimo Nacional em 3300$00. Maio / Junho - Grandes conflitos laborais e lutas de trabalhadores começam a surgir em algumas das grandes empresas portuguesas LISNAVE, TIMEX, CTT. Inicia-se um grande movimento popular de ocupações de casas desabitadas que vai prolongar-se por vários meses. A Junta de Salvação Nacional legaliza, em 19 de Maio, as ocupações verificadas e proíbe novas ocupações. 6 de Junho - Conversações preliminares com a FRELIMO, em Lusaka, com vista à independência de Moçambique. 8 de Julho - É criado o COPCON, chefiado por Otelo Saraiva de Carvalho 9 de Julho - O Primeiro Ministro Palma Carlos pede a demissão do cargo por alegadamente não ter condicões políticas para governar numa clara alusão ao peso da influência do MFA. Com ele solidarizam-se alguns ministros do seu Gabinete entre eles Francisco Sá Carneiro 12 de Julho - Vasco Gonçalves é indigitado por Spínola para o cargo de Primeiro Ministro. 18 de Julho - Tomada de posse do IIº Governo Provisório, presidido por um homem do MFA, o General Vasco Gonçalves. 27 de Julho - Spínola reconhece o direito à independência das colónias africanas. Julho / Agosto - Greves da MABOR, TAP, SOGANTAL e JORNAL DO COMÉRCIO. 8 de Agosto - Motim de ex-agentes da PIDE/DGS presos na Penitenciária de Lisboa. 28 de Agosto - Promulgação da Lei da Greve. 31 de Agosto - Por despacho conjunto do Ministério da Admnistração Interna e do Ministério do Equipamento Social é criado o SAAL vocacionado para intervir na área da habitação social. No processo SAAL colaboraram então alguns dos arquitectos portugueses hoje internacionalmente reconhecidos, como Siza Vieira e Alves Costa. Ficaram célebres as áreas de intervenção do Barredo no Porto, as de Setúbal e de Évora. 6 de Setembro - Acordos de Lusaka entre a FRELIMO e o Governo Português.
7 de Setembro - Tentativa de tomada de poder pelas forças neo-colonialistas em Lourenço Marques.
9 de Setembro - O Governo Português reconhece a Guiné-Bissau como país independente.
10 de Setembro - Apelo de Spínola à chamada Maioria Silenciosa, numa tentativa de procurar o apoio dos sectores mais conservadores da sociedade portuguesa. Em resposta a este apelo surgem na imprensa, dias mais tarde, notícias que anunciam para dia 28 uma manifestação de apoio a Spínola. 26 de Setembro - António de Spínola e Vasco Gonçalves assistem a uma corrida de toiros no Campo Pequeno. Vasco Gonçalves é apupado por manifestantes conotados com a Maioria Silenciosa. 28 de Setembro - Em resposta à anunciada manifestação da Maioria Silenciosa são organizadas barricadas populares junto às saídas de Lisboa e um pouco por todo o país. No final dessa noite, os militares substituem os civis nas barricadas. Mais de uma centena de pessoas, entre figuras gratas ao regime deposto, quadros da Legião Portuguesa e participantes activos da manifestação abortada da Maioria Silenciosa, são detidas por Forças Militares. 30 de Setembro - Apresentação da demissão do Presidente da República General António de Spínola e nomeação do General Costa Gomes. Tomada de Posse do III Governo Provisório, chefiado por Vasco Gonçalves. 6 de Outubro - "Um dia de trabalho para a Nação" proposto pelo Primeiro Ministro. Um domingo é transformado em dia útil de trabalho oferecido gratuitamente pelos trabalhadores ao país. A adesão é significativa e o resultado financeiro desta campanha será dias mais tarde estimado pelas entidades oficiais competentes em cerca de 13000 contos. 27 de Outubro - O Governo anuncia as Campanhas de Dinamização Cultural, empreendidas pela 5ª Divisão do EMGFA com o objectivo de "cumprir integralmente o programa do MFA e colocar as Forças Armadas ao serviço de um projeto de desenvolvimento do Povo Português". 11 de Novembro - O Ministério da Educação e Cultura institui o Serviço Cívico Estudantil, ano vestibular antes da entrada definitiva no ensino superior e que mobilizou milhares estudantes para brigadas de alfabetização e de educação sanitária junto das populações. 7 de Dezembro - Por decisão do Governo é decidido o pagamento do 13º mês aos pensionistas do Estado. 9 de Dezembro - Tem início o renceamento eleitoral com vista à realização das primeiras eleições em liberdade. 13 de Dezembro - Os Estados Unidos concedem ao governo português um importante empréstimo financeiro no âmbito de um Plano de Ajuda Económica a Portugal.
Guilherme da Costa |